Preço das casas arrefece na Europa com a pandemia: S&P prevê subida de 2,6% para Portugal em 2021

Mercados imobiliários europeus devem recuperar alguma força em 2022 e 2023, à medida se aliviem as restrições por causa da Covid-19, antecipa a Standard & Poor’s.

O preço da habitação vai arrefecer na maioria dos principais mercados europeus em 2021, segundo o relatório divulgado esta terça-feira, 23 de fevereiro de 2021, pela Standard & Poor’s (S&P). A agência de rating estima que os preços em Portugal cresçam 2,6% este ano, e que recuperem 4,7% em 2022. Além disso, refere ainda que os mercados onde os alojamentos de férias são um importante motor do setor residencial – como Espanha e Portugal – provavelmente terão uma procura mais fraca este ano, por causa das viagens internacionais ainda limitadas.

Os dados do relatório mostram que os preços das casas na Europa devem crescer mais lentamente este ano, estando previstas quedas apenas no Reino Unido (-2,3%) e Itália (-0,5%). Espanha é o país onde menos subirá o preço. A agência de rating espera, ainda assim, uma revitalização da procura e crescimento de preços após 2021, depois de um provável alívio das restrições impostas por causa da pandemia da Covid-19 no final do ano, abrindo-se caminho para uma recuperação sustentada da economia e emprego.

De acordo com a S&P, os preços em 2020 foram mais dinâmicos que em 2019 devido à forte procura e ao agravamento das restrições de oferta – apesar de se ter registado a maior contração económica em décadas. “As medidas políticas implementadas pelos Governos para combater a pandemia foram provavelmente as mais eficazes para manter a procura no mercado imobiliário” e, por esse motivo, os preços das casas cresceram “vigorosamente” no ano passado, explica.

A agência de rating lembra ainda que houve vários países a implementar medidas direcionadas ao mercado imobiliário, nomeadamente o Reino Unido, que aumentou temporariamente, mas significativamente, o limite acima do qual os compradores deveriam pagar imposto de selo, mas também a Suécia, onde a exigência de amortização de hipotecas foi suspensa para a maioria dos compradores. “Ambas as medidas impulsionaram o crescimento dos preços da habitação no segundo semestre de 2020, mas também vão provocar uma correção quando forem removidas este ano (em abril e setembro, respetivamente)”, refere no relatório.

“Embora as taxas de juro para novos empréstimos não tenham diminuído muito em relação aos níveis anteriores à crise, recuaram para os empréstimos pendentes. Isso sugere que muitas famílias optaram por refinanciar. Portanto, melhoraram a capacidade de liquidar as suas dívidas, reduzindo a probabilidade de vendas forçadas que reduziriam os preços”, aponta ainda.  

Intenção de compra de casa no nível mais alto desde 2003

A agência de rating considera que, passando a maior parte do tempo em casa, as pessoas começaram aparentemente a dar-lhe mais valor. Os dados do estudo sugerem que a intenção de compra de uma casa está no nível mais alto desde 2003 na zona do euro.

Enquanto isso, refere a agência de rating, os bloqueios de 2020 “exacerbaram as restrições de oferta na maioria dos países, outra fonte de pressão sobre os preços”. Na maioria dos locais, a atividade de construção foi inicialmente suspensa como uma das medidas para reduzir a transmissão do Covid-19 – algo que, recorde-se, não se verificou em Portugal, país onde o setor conseguiu continuar a trabalhar normalmente. Ainda assim, a atividade de construção na zona do euro caiu 30% ao ano em abril de 2020 e ainda não recuperou totalmente.

Falta de oferta ajudou a sustentar aumento de preços em 2020

“Como as novas casas não conseguiam dar resposta às necessidades crescentes, a falta de oferta também ajudou a sustentar os aumentos de preços relativamente altos – principalmente nas grandes cidades europeias e em países como Alemanha, Suécia e Holanda”, diz a S&P.

Ainda assim, e à medida que o impacto da pandemia nas economias europeias começar a diminuir, alguns dos apoios ao mercado imobiliário vão desaparecer, e é provável, também por isso, que os preços cresçam mais lentamente em 2021.

“Para começar, é provável que o mercado absorva grande parte da procura reprimida por imóveis gerada pelos bloqueios do início de 2020. Em segundo lugar, a acessibilidade irá tornar-se mais uma preocupação para os compradores. Isto porque as economias dificilmente atingirão os níveis pré-Covid-19 até meados de 2022, o que não levará a uma recuperação total do emprego antes de 2023. O rendimento das famílias, portanto, aumentará lentamente”, diz ainda.

Mercados recuperam força em 2022 e 2023

A agência de rating acredita que os mercados imobiliários europeus devem recuperar alguma força em 2022 e 2023, à medida que os países comecem a relaxar as restrições impostas por causa da pandemia. “Os mercados de trabalho vão reestabelecer-se com a recuperação da economia, apoiando o rendimento familiar e as perspetivas de emprego. Enquanto isso, o regresso do turismo também deve fazer subir os preços nos países dependentes do setor”, lê-se ainda no documento.

É também “improvável”, diz a S&P, que os bancos centrais apertem a sua política monetária nos próximos três anos, o que quer dizer que procura de rendimento continuará a alimentar as cidades e mercados dependentes de investidores.

Além disso, e apesar das mudanças estruturais no mundo habitacional pós-pandémico serem possíveis, a agência prevê que as cidades continuem atraentes para os proprietários. “Mesmo que o teletrabalho seja mais disseminado, as grandes cidades ainda são o centro da atividade económica, com melhores perspetivas de emprego e infraestruturas – especialmente na saúde e lazer – todos determinantes para a procura de casa”, lembra.

Este conteúdo é uma reprodução do Idealista News.“Preço das casas arrefece na Europa com a pandemia: S&P prevê subida de 2,6% para Portugal em 2021″. Pode visualizar o artigo na sua integra através do seguinte link: https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2021/02/24/46386-preco-das-casas-arrefece-na-europa-com-a-pandemia-sp-preve-subida-de-2-6-para


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